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O narrador recebe um e-mail super impessoal (“foi decidido que…”) e aprende a reescrever com sujeito (“eu / nós / vocês”) para criar compromisso e destravar a negociação.

LEVEL/WORDCOUNT: B2 / 520 words

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“Foi decidido” não decide nada

Na quarta-feira, eu recebi um e-mail do cliente com um tom que parecia educado e distante ao mesmo tempo. Era cheio de frases como “foi decidido que…”, “foi entendido que…”, “será realizado…”. Eu li e tive a sensação de estar falando com uma parede. Não era grosseria. Era impessoal demais. E eu percebi como isso pode ser um escudo: quando ninguém é sujeito, ninguém se compromete.

O problema é que o e-mail trazia uma mudança importante de escopo. Se a gente aceitasse daquele jeito, o projeto ia estourar prazo e orçamento. Eu podia responder na mesma moeda: “Foi observado que…”, “não será possível…”. Só que eu já sabia onde isso termina: em parágrafos trocados que não resolvem nada.

Eu abri uma resposta nova e comecei com sujeito: “Eu entendi a mudança que vocês pediram.” Depois eu coloquei o efeito: “Se a gente incluir isso agora, o prazo muda.” E então eu coloquei proposta: “Eu consigo entregar a versão A na data combinada. A versão B, com a mudança, eu entrego na semana seguinte.” Não era dureza; era matemática de tempo.

Antes de enviar, eu ajustei o tom com uma frase humana: “Pra ser transparente, eu quero evitar retrabalho e frustração dos dois lados.” Eu cliquei em enviar e me preparei para resistência. Mesmo assim, eu senti que, qualquer que fosse a resposta, eu tinha feito a minha parte: tinha colocado alguém na frase.

A resposta veio simples: “Obrigado por clarear. Vamos seguir com a versão A e alinhamos a B depois.” Eu encostei na cadeira e pensei: às vezes, o que destrava uma negociação não é argumento técnico. É sujeito. “Eu”, “a gente”, “vocês”. Em vez de “foi decidido”, “decidimos”. Em vez de “será feito”, “nós faremos”. A frase fica mais curta e o acordo fica mais fácil.

“It was decided” decides nothing

On Wednesday, I received an email from the client with a tone that felt polite and distant at the same time. It was full of lines like “it was decided that…,” “it was understood that…,” “it will be carried out…”. I read it and felt like I was talking to a wall. It wasn’t rude. It was too impersonal. And I realized how that can be a shield: when nobody is the subject, nobody commits.

The problem was the email contained an important scope change. If we accepted it as written, the project would blow the timeline and budget. I could respond in the same style: “It was observed that…,” “it will not be possible…”. But I already knew where that ends: paragraphs traded back and forth without solving anything.

I opened a new reply and started with a subject: “I understood the change you requested.” Then I stated the effect: “If we include this now, the deadline changes.” Then I proposed: “I can deliver version A on the agreed date. Version B, with the change, I can deliver the following week.” It wasn’t harsh; it was time math.

Before sending, I adjusted the tone with a human line: “To be transparent, I want to avoid rework and frustration on both sides.” I hit send and prepared for pushback. Still, I felt that whatever the answer was, I had done my part: I put someone in the sentence.

The reply was simple: “Thanks for clarifying. Let’s proceed with version A and align B later.” I leaned back and thought: sometimes what unlocks negotiation isn’t a technical argument. It’s the subject. “I,” “we,” “you.” Instead of “it was decided,” “we decided.” Instead of “it will be done,” “we will do it.” The sentence gets shorter—and the agreement gets easier.

Help

How to Use the Audio

Listen once, then shadow the email phrases (“foi decidido”, “pra ser transparente”).

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Vocabulary

  • distante – distant
  • impessoal – impersonal
  • escudo – shield
  • escopo – scope
  • estourar – to exceed/blow
  • prazo – deadline
  • orçamento – budget
  • resistência – resistance/pushback
  • destravar – to unlock
  • acordo – agreement

Grammar

1) Construções impessoais como “foi decidido que…”
Construções impessoais descrevem eventos sem sujeito específico, o que pode deixar o texto neutro, mas também vago.
Em negociação, trocar por sujeito explícito (“eu/nós”) tende a aumentar compromisso e clareza.

2) Revisão: passiva com “ser” + particípio
A voz passiva com “ser” + particípio é comum em textos formais e pode omitir o agente quando ele é irrelevante ou desconhecido.
No e-mail, a repetição de passivas cria distância; por isso o narrador reescreve com voz ativa.

Idiomatic Expressions

  • na mesma moeda – in the same style / same coin
  • pra ser transparente – to be transparent
  • clarear – to clarify (informal)
  • dois lados – both sides
  • não decide nada – decides nothing (emphasis)

Cultural Insights

  • E-mail formal no Brasil
    É comum ver passivas e impessoais em e-mails corporativos para soar “neutro”, mas isso também pode criar frieza.
  • “Pra ser transparente” como amortecedor
    A expressão costuma preparar o leitor para uma limitação (prazo, escopo) de forma respeitosa.
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10 Questions

  1. Como era o tom do e-mail do cliente? (resposta)
  2. Quais expressões impessoais aparecem? (resposta)
  3. Qual era o problema principal do e-mail? (resposta)
  4. O que aconteceria se aceitassem a mudança do jeito que veio? (resposta)
  5. Qual estratégia o narrador evita? (resposta)
  6. Como ele começa a resposta? (resposta)
  7. Que proposta ele faz? (resposta)
  8. Qual frase ele usa para ajustar o tom? (resposta)
  9. Como o cliente responde? (resposta)
  10. Qual é a lição do narrador? (resposta)

Multiple Choice

  1. “Foi decidido que…” é exemplo de:(resposta)
    a) Imperativo
    b) Construção impessoal
    c) Futuro do subjuntivo
  2. A reescrita com “eu/nós” aumenta:(resposta)
    a) Mistério
    b) Ironia
    c) Clareza e compromisso
  3. “Na mesma moeda” significa:(resposta)
    a) Responder do mesmo jeito
    b) Mudar de assunto
    c) Pedir desculpa
  1. O objetivo do narrador é evitar:(resposta)
    a) Trabalho em equipe
    b) Troca de parágrafos sem solução
    c) Prazo combinado
  2. “Pra ser transparente” prepara para:(resposta)
    a) Uma explicação honesta/limite
    b) Uma piada
    c) Uma acusação
  3. O cliente escolhe:(resposta)
    a) Cancelar tudo
    b) Versão B imediata
    c) Versão A agora, versão B depois

True or False

  1. O e-mail do cliente tinha sujeito claro e direto. (resposta)
  2. O narrador troca passivas por frases com “eu/a gente/vocês”. (resposta)
  3. A mudança de escopo afetaria prazo e orçamento. (resposta)
  4. O narrador responde com agressividade. (resposta)
  5. O cliente agradece e aceita o plano em duas versões. (resposta)
  6. O narrador conclui que sujeito facilita o acordo. (resposta)

Retell the Story

Reescreva a história. Transforme uma frase impessoal (“foi decidido que…”) em uma frase com sujeito (“nós decidimos…”). Explique a proposta das versões A e B.

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