Sexta à noite: o narrador reconta para Marcelo uma situação do trabalho e percebe que “inclusive/aliás” podem soar acusatórios se usados como “correção”; ele tenta usar para organizar, não para vencer.
LEVEL/WORDCOUNT: B2 / 520 words
Aliás… calma
Na sexta-feira, eu encontrei Marcelo depois do trabalho. A gente sentou num bar simples e eu comecei a contar a semana. Eu estava orgulhoso de ter lidado bem com o tom, mas orgulho é perigoso: ele adora virar aula. E eu não queria dar aula pro Marcelo.
Eu contei do “chefiazinha” no corredor e do jeito que eu redirecionei. Marcelo riu e falou: “Ah, mas chefia merece.” Eu senti o “professorzinho” dentro de mim querendo sair e corrigir: “Aliás, não é bem assim…” Eu cheguei a abrir a boca com esse “aliás” pronto para dar bronca.
Eu parei no meio e mudei o caminho. Em vez de “aliás” como correção, eu usei “aliás” como contexto: “Aliás, o problema nem era a planilha. Era o veneno que isso cria no time.” Marcelo me olhou e fez que sim. A conversa ficou adulta sem ficar chata.
Depois eu falei do cliente e da minha mensagem “só um pedacinho”. Marcelo disse: “Você tá muito educado. Daqui a pouco você vira robô.” Eu ri. E, inclusive, eu percebi que “inclusive” também pode soar como disputa, dependendo do tom. Eu respirei e usei do jeito certo: “Inclusive, eu faço isso porque eu não quero virar agressivo. Eu prefiro ser eficiente sem brigar.”
Marcelo levantou o copo e falou: “Tá, tá. Eu entendi. Você tá melhor.” Eu brindei e pensei: conectores são como volante. Se eu uso para controlar o outro, dá acidente. Se eu uso para organizar o caminho, a conversa anda.
By the way… calm down
On Friday, I met Marcelo after work. We sat at a simple bar and I started telling him about the week. I was proud of how I handled tone, but pride is risky: it loves turning into a lecture. And I didn’t want to lecture Marcelo.
I told him about “little boss” in the hallway and how I redirected it. Marcelo laughed and said: “Yeah, but bosses deserve it.” I felt the “little teacher” inside me wanting to pop out and correct him: “By the way, it’s not like that…” I almost started with that “by the way” ready to scold.
I stopped mid-way and changed routes. Instead of “by the way” as correction, I used “by the way” as context: “By the way, the problem wasn’t even the spreadsheet. It was the poison that creates in the team.” Marcelo nodded. The conversation got adult without getting boring.
Then I told him about the client and my “just a little piece” message. Marcelo said: “You’re too polite. Soon you’ll become a robot.” I laughed. And I realized that “also” can sound like arguing depending on tone. I breathed and used it the right way: “Also, I do this because I don’t want to become aggressive. I’d rather be efficient without fighting.”
Marcelo raised his glass and said: “Okay, okay. I got it. You’re better.” I clinked and thought: connectors are like a steering wheel. If I use them to control the other person, there’s a crash. If I use them to organize the road, the conversation moves.
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How to Use the Audio
Practice saying “aliás” with two intentions: (1) correction, (2) extra context. Notice how intonation changes.
Vocabulary
- orgulhoso – proud
- aula – lecture/class
- corrigir – to correct
- bronca – scolding
- contexto – context
- disputa – dispute
- agressivo – aggressive
- volante – steering wheel
- acidente – accident
- organizar – to organize
Grammar
1) Conectores como “aliás” e “inclusive” (pragmática)
Conectores são ferramentas para encaixar comentário, correção ou informação extra; o efeito depende de entonação e contexto.
[2]
No texto, “aliás” muda de “correção” para “contexto”, e “inclusive” vira reforço de motivo (não disputa).[2]
2) Discurso indireto para narrar
Para contar conversas, o português usa muito “disse que…”, “falou que…”, “perguntou se…”, o que ajuda a organizar narrativa.
[1]
O narrador usa essa lógica para contar ao Marcelo sem “aumentar” o drama.[1]
Idiomatic Expressions
- dar aula – to lecture someone
- daqui a pouco – soon / in a bit
- virar robô – become a robot
- calma – calm down (tone marker)
- fazer que sim – nod yes
Cultural Insights
- “Aliás” pode soar como correção
Na conversa informal, “aliás” pode ser percebido como “deixa eu te corrigir”; por isso, o tom e a sequência importam. [2]
10 Questions
- Onde o narrador encontra Marcelo? (resposta)
- Por que orgulho é “perigoso” para ele? (resposta)
- Qual assunto ele conta primeiro? (resposta)
- O que Marcelo responde? (resposta)
- Qual tentação o narrador sente? (resposta)
- Como ele muda o uso de “aliás”? (resposta)
- O que Marcelo diz sobre ele ser educado? (resposta)
- Como ele usa “inclusive” no final? (resposta)
- Qual metáfora ele usa para conectores? (resposta)
- Qual foi o efeito na conversa? (resposta)
Multiple Choice
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True or False
- O narrador dá bronca em Marcelo usando “aliás”. (resposta)
- Ele reconta histórias usando discurso indireto. (resposta)
- Marcelo chama ele de robô. (resposta)
- O narrador usa “inclusive” para aumentar a disputa. (resposta)
- Ele compara conectores a um volante. (resposta)
- A conversa termina com clima mais leve. (resposta)
Retell the Story
Reescreva a conversa no bar. Use “aliás” e “inclusive” uma vez cada, e mostre como eles mudam o tom (correção vs contexto).



