00b2w20d05 – Resolve-se? Resolve-se onde?

Na sexta, ele aprende a usar o “se” impessoal/passivador (“vende-se”, “resolve-se”) para soar natural e evitar repetição, mas sem virar fuga de responsabilidade.

LEVEL/WORDCOUNT: B2 / 520 words

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Resolve-se? Resolve-se onde?

Na sexta-feira, eu saí para almoçar perto do escritório e passei por uma vitrine com um cartaz enorme: “Aluga-se sala.” Eu parei por dois segundos, não porque eu queria alugar, mas porque eu estava com a semana inteira na cabeça. “Aluga-se” era exatamente o tipo de frase que eu vinha estudando sem perceber: alguém faz, mas ninguém aparece. A ação acontece e o agente some.

De volta ao trabalho, eu precisei escrever um aviso no canal do time sobre um procedimento: quando o cliente pede mudança, a gente abre um ticket antes de mexer no escopo. Eu comecei a digitar: “Nós abrimos um ticket…” e achei repetitivo. Aí veio a tentação: “Abre-se um ticket…” pronto, formal, bonito, impessoal. Eu usei, mas com cuidado: “Quando houver mudança de escopo, abre-se um ticket antes de iniciar ajustes.”

A Ana reagiu com um joinha. O Bruno escreveu: “Boa. Assim fica claro.” E eu senti que aquela estrutura tinha uma vantagem: ela parecia regra de manual, não bronca para alguém. Só que, logo em seguida, veio um teste. Um cliente apareceu pedindo um ajuste “rapidinho”, e a mensagem no chat do projeto veio assim: “Resolve-se isso hoje?”

Eu ri por dentro. “Resolve-se” parecia mágico: como se a solução brotasse do chão. Eu respondi: “Dá pra resolver, sim. Eu resolvo hoje se a gente abrir o ticket agora e tirar X da minha lista.” Foi quase automático: eu aceitei o “se” impessoal para falar de regra, mas usei “eu” para falar de responsabilidade. Eu estava aprendendo a combinar os dois sem virar fumaça.

No fim do dia, eu vi a diferença: impessoal serve para processo; pessoal serve para compromisso. E, se eu misturo certo, eu fico mais claro sem ficar pesado. Eu fechei o notebook com uma ideia simples: não é proibido usar frases impessoais. O perigo é usá-las para sumir.

“It gets solved”? Solved where?

On Friday, I went out for lunch near the office and passed a storefront with a big sign: “Room for rent” (Aluga-se sala). I stopped for a couple seconds—not because I wanted to rent it, but because the whole week was in my head. “Aluga-se” was exactly the type of sentence I’d been studying without realizing it: someone does it, but nobody shows up. The action happens and the agent disappears.

Back at work, I needed to write a notice in the team channel about a procedure: when the client requests a change, we open a ticket before changing scope. I started typing “We open a ticket…” and it felt repetitive. Then came the temptation: “A ticket is opened…” clean, formal, impersonal. I used it, but carefully: “When there is a scope change, a ticket is opened before starting adjustments.”

Ana reacted with a thumbs-up. Bruno wrote: “Good. This makes it clear.” I felt that structure had an advantage: it sounded like a manual rule, not a scolding for someone. But then a test came. A client showed up asking for a “quick” fix, and the message in the project chat came like this: “Can this be solved today?” (Resolve-se isso hoje?)

I laughed inside. “Resolve-se” sounded magical, as if the solution would grow from the floor. I replied: “Yes, it can be solved. I’ll solve it today if we open the ticket now and remove X from my list.” It was almost automatic: I accepted the impersonal “se” to talk about rules, but I used “I” to talk about responsibility. I was learning to combine the two without becoming smoke.

By the end of the day, I saw the difference: impersonal works for process; personal works for commitment. And if I mix them well, I become clearer without becoming heavy. I closed my laptop with a simple idea: impersonal phrases aren’t forbidden. The danger is using them to disappear.

Help

How to Use the Audio

Practice reading short “rule sentences” with flat, neutral intonation.

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Vocabulary

  • vitrine – storefront/window
  • cartaz – sign/poster
  • aluga-se – for rent (impersonal “se”)
  • procedimento – procedure
  • escopo – scope
  • ticket – ticket
  • bronca – scolding
  • teste – test
  • mágico – magical (figurative)
  • compromisso – commitment

Grammar

1) “Se” impessoal / pronome apassivador
O “se” pode ser usado para indicar agente indefinido e criar construções impessoais; isso é comum em avisos e placas (“aluga-se”).
Em muitos casos, essa estrutura pode ter sentido parecido com a voz passiva, focando na ação em vez de quem faz.

2) Alternar regra e compromisso
O texto mostra um uso pragmático: impessoal para regra (“abre-se um ticket”) e pessoal para entrega (“eu resolvo hoje”).
Essa alternância ajuda a manter tom neutro sem perder responsabilidade.

Idiomatic Expressions

  • rapidinho – very quick (often “not that quick”)
  • dá pra resolver – it’s doable / we can solve it
  • brota do chão – grows from the floor (figurative)
  • virar fumaça – to become smoke (disappear)
  • sumir – to disappear

Cultural Insights

  • Placas com “-se”
    No Brasil, é muito comum ver “vende-se”, “aluga-se”, “procura-se”, usando “se” para não nomear agente.
  • “Rapidinho” em trabalho
    “Rapidinho” pode ser pedido carinhoso, mas também pode mascarar trabalho grande; negociar é normal.
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10 Questions

  1. Que cartaz o narrador vê na rua? (resposta)
  2. Por que ele para para olhar? (resposta)
  3. Que procedimento ele precisa avisar ao time? (resposta)
  4. Qual frase impessoal ele usa? (resposta)
  5. Por que isso ajuda? (resposta)
  6. Qual mensagem do cliente aparece? (resposta)
  7. O que “resolve-se” sugere para ele? (resposta)
  8. Como ele responde de forma equilibrada? (resposta)
  9. Qual condição ele coloca? (resposta)
  10. Qual lição ele tira? (resposta)

Multiple Choice

  1. “Aluga-se” é exemplo de:(resposta)
    a) Se impessoal/apassivador
    b) Futuro do subjuntivo
    c) Imperativo
  2. O uso de “abre-se um ticket” serve para:(resposta)
    a) Culpar alguém
    b) Tornar a regra neutra
    c) Evitar ticket
  3. O narrador evita “sumir” quando diz:(resposta)
    a) “Resolve-se…”
    b) “Aconteceu…”
    c) “Eu resolvo hoje…”
  1. “Rapidinho” no texto é:(resposta)
    a) Um pedido que pode minimizar o esforço
    b) Uma ordem oficial
    c) Um elogio
  2. A mistura “se” + “eu” cria:(resposta)
    a) Confusão
    b) Regra + compromisso
    c) Humor apenas
  3. A lição final é que frases impessoais:(resposta)
    a) Sempre são erradas
    b) Sempre são melhores
    c) Podem ajudar, mas não devem servir para fugir

True or False

  1. O narrador decide nunca mais usar “se” em português. (resposta)
  2. “Abre-se um ticket” soa como regra neutra. (resposta)
  3. O cliente pede um ajuste “rapidinho”. (resposta)
  4. O narrador responde “resolve-se” e some. (resposta)
  5. Ele usa “eu resolvo” para assumir compromisso. (resposta)
  6. Ele conclui que o perigo é usar o impessoal para fugir. (resposta)

Retell the Story

Reescreva a história. Inclua uma frase com “-se” (ex.: “abre-se”, “aluga-se”) e outra com sujeito explícito (“eu resolvo…”). Explique por que cada uma combina com um contexto.

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